Por que o controle da Obesidade é tão importante na prevenção das DCNT?
- Cognitiva Educação e Pesquisa
- 10 de fev. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de fev. de 2022
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) constituem um vasto grupo de condições que têm em comum o fato de possuírem origem multifatorial, com forte influência de fatores de risco comportamental, alguns modificáveis, outros não.

Estima-se que as DCNT respondem por aproximadamente 60% do total das mortes ocorridas globalmente e por 46% da chamada “carga global de doença”, representando um grave problema de pública saúde contemporâneo. Os dados são referentes ao período anterior à pandemia de Covid-19.
O Plano de Ação Global para Prevenção e Controle das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (2013-2020) da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra que um pequeno conjunto de fatores de risco responde pela grande maioria das mortes por DCNT e por fração substancial da carga de doenças relacionadas à essas enfermidades. Entre esses fatores, destacam-se o tabagismo, o sedentarismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o consumo alimentar inadequado.

O Brasil, que implementou uma política acertada de redução do tabagismo no final dos anos de 1980, viu cair significativamente o número de fumantes. Dados mais recentes indicam prevalência do tabagismo entre adultos de 9,5%. No sentido oposto, o consumo alimentar inadequado e o sedentarismo têm elevado as taxas de sobrepeso e obesidade. Essa última, isolada, constitui um importante fator de risco para as DCNT.
A média de adultos com excesso de peso foi de 55,4%, sendo ligeiramente maior entre homens (57,1%) do que entre mulheres (53,9%), enquanto a de adultos obesos ficou em 20,3%, sendo semelhante entre homens e mulheres, de acordo com o Relatório do inquérito VIGITEL Brasil, 2019, realizado em 27 cidades brasileiras. E o mais grave é que a obesidade cresce rapidamente entre a população de todas as idades, exigindo medidas urgentes de controle. Nos adultos, a prevalência de obesidade aumentou de 5% de 2013 à 2019.
Assim, o monitoramento da prevalência da obesidade é essencial para a saúde pública, uma vez que a obesidade está associada à diversas doenças não transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças renais e musculoesqueléticos, além de diversos tipos de câncer.
Por ter causas multifatoriais e resultar de uma complexa interação entre predisposição genética, ambiente e estilos de vida, o controle da obesidade requer abordagem holística, integral e longitudinal, fundamentada em instrumental teórico ampliado que inclua aspectos psicológicos, sociais, culturais e ambientais, e se baseie em narrativa que se distancia do senso comum que culpa a pessoa pela própria obesidade e contribui para a estigmatização do problema.
A longitudinalidade é o resultado da adesão de mão dupla, ou seja, resultante de uma relação de vínculo envolvendo, tanto o profissional em sua prática, como a pessoa que demanda o cuidado. E é no contexto da Atenção Primária de Saúde (APS) que a abordagem longitudinal do cuidado tem lócus privilegiado. As equipes conhecem o indivíduo, a família, a comunidade, assim como os fatores condicionantes do ambiente, contando com mais recurso de tecnologias sensíveis para monitorar não apenas a obesidade como também as DCNT que mais frequentemente acometem a população.
São profissionais de saúde que atuam na APS o público-alvo do novo curso de extensão da cognitivaeduca.com - “O cuidado de pessoas adultas com obesidade: uma abordagem interprofissional”, cujo objetivo principal é instrumentalizá-los com metodologia e estratégias de abordagem voltadas para o cuidar qualificado, fundamentado em uma visão ampliada sobre a dimensão e a complexidade do problema da obesidade que, via de regra, é acompanhada de outras condições de DCNT.

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