BURNOUT: A Síndrome que afeta diretamente a Enfermagem.
- Cognitiva Educação e Pesquisa
- 16 de fev. de 2022
- 3 min de leitura
A nova classificação da Síndrome de Burnout (SB) na CID 11.
Desde o dia 1º de janeiro de 2022, a Síndrome de Burnout é considerada “doença resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado” na nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde – a CID 11. Ou seja, passou a ser considerada doença do trabalho.

A Diferença entre “Doença do Trabalho” e “Doença Ocupacional?
Doença do Trabalho é adquirida ou desencadeada em função de condições especialmente ruins em que o trabalho é realizado ou que com ele se relaciona diretamente; é uma doença desenvolvida em decorrência de um ambiente de trabalho extenuante ou tóxico, propício ao adoecimento físico e psicológico.
A Doença Ocupacional é produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade: atividades insalubres exercidas sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, como a que leva à surdez, ou atividades repetitivas que causam Lesão por Esforço Repetitivo (LER).
O que isso muda nos ambientes de trabalho?

A nova classificação fará diferença nas demandas judiciais na Vara da Justiça do Trabalho e forçará as empresas a adotarem medidas de prevenção, análises de bem estar e saúde para seus colaboradores, visando melhorar progressivamente o ambiente de trabalho e evitar
prejuízos financeiros e históricos que possam prejudicar ou comprometer a sua imagem. A empresa passa a ter ainda mais responsabilidade em garantir um ambiente saudável ao desenvolvimento do trabalho, evitando atribuir horas extras excessivas, requerer frequentemente a dobra de plantão, investir em treinamentos e qualificação para aumentar a segurança no desenvolvimento das atividades. Entretanto, ainda são necessárias ao requerente a apresentação de evidências que comprovem os fatos.
Conceito e sintomas da Síndrome de Burnout (SB)
A Síndrome de Burnout é uma resposta do organismo a um processo progressivo de exaustão emocional e perda do interesse do profissional quando os métodos de enfrentamento falham ou são insuficientes. É mais frequente nos trabalhadores que exercem atividades de cuidado, envolvendo três fatores multidimensionais: exaustão emocional caracterizada por baixo entusiasmo e sensação de esgotamento de recursos; despersonalização ou insensibilidade marcada por atitudes negativas de distanciamento, intolerância e tratamento impessoal de pacientes e equipe; e reduzida realização profissional na qual há sensação de insuficiência e baixa autoestima. Os três fatores multidimensionais da SB são componentes do Maslach Burnout Inventory (MBI), um questionário desenvolvido em 1978 por Christina Maslach e Susan E. Jackson, para avaliar a Síndrome de Burnout e ainda muito utilizados na atualidade.
A pandemia de Covid-19 piorou as condições de trabalho da Enfermagem

Os trabalhadores que atuam na linha de frente do atendimento de Covid-19, têm sido um dos grupos mais afetados pela pandemia, quando se trata de sofrimento psíquico acompanhado de estresse, ansiedade e depressão. São sintomas que encontramos nos profissionais da saúde e também estão presentes em outros segmentos da população. Contudo, os profissionais da saúde convivem com a sobrecarga de trabalho e a fadiga, colocando-os entre o grupo mais vulnerável a desenvolver a Síndrome de Burnout. O aumento da violência nos serviços de saúde agrava ainda mais esse cenário.
Antes da pandemia, em condições de atendimento que se supõe fossem normais para um serviço público de saúde a prevalência de agressões físicas ou verbais reportadas por profissionais de enfermagem em um serviço de oncologia de São Paulo chegou a 65%. Situação similar foi descrita em estudo realizado no setor de emergência de hospital no Rio Grande do Norte que apontou haver violência por parte dos usuários, mas também entre profissionais da equipe. Com a pandemia, a situação que já era crítica se agudizou, se espalhando pelo país, como mostrou a nota de repúdio do COFEn sobre a violência contra profissionais de Enfermagem de São Paulo.




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